♥Carol♥Rosa♥Choque♥

Thursday, September 30, 2004

Ser Brotinho

Paulo Mendes Campos

Ser brotinho não é viver em um píncaro azulado: é muito mais! Ser brotinho é sorrir bastante dos homens e rir interminavelmente das mulheres, rir como se o ridículo, visível ou invisível, provocasse uma tosse de riso irresistível.

Ser brotinho é não usar pintura alguma, às vezes, e ficar de cara lambida, os cabelos desarrumados como se ventasse forte, o corpo todo apagado dentro de um vestido tão de propósito sem graça, mas lançando fogo pelos olhos. Ser brotinho é lançar fogo pelos olhos.

É viver a tarde inteira, em uma atitude esquemática, a contemplar o teto, só para poder contar depois que ficou a tarde inteira olhando para cima, sem pensar em nada. É passar um dia todo descalça no apartamento da amiga comendo comida de lata e cortar o dedo. Ser brotinho é ainda possuir vitrola própria e perambular pelas ruas do bairro com um ar sonso-vagaroso, abraçada a uma porção de elepês coloridos. É dizer a palavra feia precisamente no instante em que essa palavra se faz imprescindível e tão inteligente e natural. É também falar legal e bárbaro com um timbre tão por cima das vãs agitações humanas, uma inflexão tão certa de que tudo neste mundo passa depressa e não tem a menor importância.

Ser brotinho é poder usar óculos como se fosse enfeite, como um adjetivo para o rosto e para o espírito. É esvaziar o sentido das coisas que transbordam de sentido, mas é também dar sentido de repente ao vácuo absoluto. É aguardar com paciência e frieza o momento exato de vingar-se da má amiga. É ter a bolsa cheia de pedacinhos de papel, recados que os anacolutos tornam misteriosos, anotações criptográficas sobre o tributo da natureza feminina, uma cédula de dois cruzeiros com uma sentença hermética escrita a batom, toda uma biografia esparsa que pode ser atirada de súbito ao vento que passa. Ser brotinho é a inclinação do momento.

É telefonar muito, estendida no chão. É querer ser rapaz de vez em quando só para vaguear sozinha de madrugada pelas ruas da cidade. Achar muito bonito um homem muito feio; achar tão simpática uma senhora tão antipática. É fumar quase um maço de cigarros na sacada do apartamento, pensando coisas brancas, pretas, vermelhas, amarelas.

Ser brotinho é comparar o amigo do pai a um pincel de barba, e a gente vai ver está certo: o amigo do pai parece um pincel de barba. É sentir uma vontade doida de tomar banho de mar de noite e sem roupa, completamente. É ficar eufórica à vista de uma cascata. Falar inglês sem saber verbos irregulares. É ter comprado na feira um vestidinho gozado e bacanérrimo.

É ainda ser brotinho chegar em casa ensopada de chuva, úmida camélia, e dizer para a mãe que veio andando devagar para molhar-se mais. É ter saído um dia com uma rosa vermelha na mão, e todo mundo pensou com piedade que ela era uma louca varrida. É ir sempre ao cinema mas com um jeito de quem não espera mais nada desta vida. É ter uma vez bebido dois gins, quatro uísques, cinco taças de champanha e uma de cinzano sem sentir nada, mas ter outra vez bebido só um cálice de vinho do Porto e ter dado um vexame modelo grande. É o dom de falar sobre futebol e política como se o presente fosse passado, e vice-versa.

Ser brotinho é atravessar de ponta a ponta o salão da festa com uma indiferença mortal pelas mulheres presentes e ausentes. Ter estudado ballet e desistido, apesar de tantos telefonemas de Madame Saint-Quentin. Ter trazido para casa um gatinho magro que miava de fome e ter aberto uma lata de salmão para o coitado. Mas o bichinho comeu o salmão e morreu. É ficar pasmada no escuro da varanda sem contar para ninguém a miserável traição. Amanhecer chorando, anoitecer dançando. É manter o ritmo na melodia dissonante. Usar o mais caro perfume de blusa grossa e blue-jeans. Ter horror de gente morta, ladrão dentro de casa, fantasmas e baratas. Ter compaixão de um só mendigo entre todos os outros mendigos da Terra. Permanecer apaixonada a eternidade de um mês por um violinista estrangeiro de quinta ordem. Eventualmente, ser brotinho é como se não fosse, sentindo-se quase a cair do galho, de tão amadurecida em todo o seu ser. É fazer marcação cerrada sobre a presunção incomensurável dos homens. Tomar uma pose, ora de soneto moderno, ora de minueto, sem que se dissipe a unidade essencial. É policiar parentes, amigos, mestres e mestras com um ar songamonga de quem nada vê, nada ouve, nada fala.

Ser brotinho é adorar. Adorar o impossível. Ser brotinho é detestar. Detestar o possível. É acordar ao meio-dia com uma cara horrível, comer somente e lentamente uma fruta meio verde, e ficar de pijama telefonando até a hora do jantar, e não jantar, e ir devorar um sanduíche americano na esquina, tão estranha é a vida sobre a Terra.




Texto extraído do livro “
O Cego de Ipanema”, Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1960, pág. 15.





















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Este vai para minha amigona Carol (Carin Cassiana)!!!

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"O que mais vale na vida é procurar dar um pouco de felicidade à vida dos outros" (Baden Powell)

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Antes de Julgares

Silvana Duboc

Antes de julgares,
saiba que teus olhos atentos aos possíveis erros dos outros
podem estar cegos diante dos teus.

Antes de julgares,
percebe que aquilo que tanto recriminas hoje,
talvez precise ser a tua realidade de amanhã.

Antes de julgares,
repara que toda história tem duas versões e duas versões
são duas verdades.

Antes de julgares,
aceita que invariavelmente a uma parte,
por menor que seja, de uma história,
tu não terás acesso.

Antes de julgares,
entende que não serão mil bocas que te esclarecerão
qualquer coisa, elas apenas te confundirão.

Antes de julgares,
escuta o silêncio, ele costuma fornecer grandes dados.

Antes de julgares,
observa os olhos, eles são mais reveladores do que as bocas.
Eles deixam provas irrefutáveis da verdade.

Antes de julgares,
presta atenção à tua volta.
Quantos foram condenados injustamente
por mestres em julgamento?

Antes de julgares,
lembra que tu mesmo já foste vítima de calúnias
e por vezes não tiveste como te defender delas.

Antes de julgares,
olha-te no espelho, observa com atenção o teu semblante,
pensa na tua vida pregressa e questiona-te
se estás em condição de julgar alguém.

Antes de julgares,
recorda-te que Cristo foi julgado,
condenado e crucificado sem direito à defesa.

















































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Wednesday, September 29, 2004

Amigos e Amigas!!!

Vou chorar aqui, estou com a conexão péssima desde domingo e agora não consigo me conectar ao MSN !!! Quem tiver ICQ me adicione ok? Olha meu número aí ao lado!! Peste de conexão!!!! Buáááááá

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Tuesday, September 28, 2004

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"Na minha opinião
existem dois tipos de viajantes:
os que viajam para fugir,
e os que viajam para buscar."


(Érico Veríssimo)







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Você é uma pessoa maravilhosa!

Você é o mais maravilhoso dos seres.

Isto não quer dizer que os demais lhe sejam inferiores.

Poderá motivar-se a viver e agir com otimismo, se reconhecer que é "o ser mais admirável do mundo", rodeado pelos seres mais assombrosos do planeta: seus semelhantes.

Você é um valor transcendente, chamado a realizar-se de maneira integral.

O que há de extraordinário em você é sua capacidade de ser hoje melhor que ontem, e de ser amanhã melhor que hoje.

Comprometa-se a melhorar suas condutas defeituosas e a exercitar suas qualidades.

"Seu maior mérito consiste em cultivar as melhores virtudes".















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Saturday, September 25, 2004

posted by carolrosachoque at 14:49 | link | comments (2)

AMIGO(A) PRA MIM...

".
..Amigo é terapeuta de plantão, que não cobra consulta nem pede hora marcada.
É irmão que se escolhe, alma do mesmo sangue...
Observador crítico de nossas falhas tanto quanto admirador confesso de nossas realizações.
Amigo é o que se identifica naturalmente com a nossa procura.
É afinidade tão rara de se achar.
É aquele que vem e fica e não se acaba junto com as grandes paixões.
Amigo é fundamental.
Para jogar conversa fora ou filosofar, viajar no sonho ou cair na real,
dar ou pedir conselho, ver um caminho ou ver-se no espelho.
Amizades contam-se nos dedos de uma mão.
Fortalecê-las está nas suas...
"














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Friday, September 24, 2004

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ACREDITAR NA VIDA

É ter esperança no amanhã.
Saber que após a noite vem o dia.
Viver intensamente as emoções!
Pular de alegria.
Não invadir o espaço alheio.
Ser espontâneo.
Apreciar o nascer e o pôr-do-sol.
Amar as pessoas incondicionalmente.
Aproveitar todos os momentos...
Fazer trabalho voluntário.
Vencer a depressão!
Confiar na voz da intuição. Perdoar as pessoas.
Estimular a criatividade.
Não se prender a detalhes.
Brincar como uma criança. Chorar de felicidade...
Deixar para lá.
Ter pensamento positivo.
Respeitar os sentimentos dos outros.
Rir sozinho.
Saber trabalhar em equipe. Ser sincero.
Encontrar a felicidade nas pequenas coisas.
Entender que somos pessoas únicas.
É dançar sem medo.
Não se apegar a bens materiais.
Respirar a brisa do mar.
Ouvir a melodia suave de uma fonte.
Observar a natureza.
Adorar um dia de chuva.
Ter motivação! Enxergar além das aparências.
Descobrir que precisamos dos outros.
Esquecer o que já passou.
Buscar novos horizontes.
Perceber que somos humanos.
Vencer a nós mesmos.
Ver a beleza da alma. Sair da passividade.
Saber que a vida é conseqüência de nossas atitudes...
Não procrastinar as decisões.
Mimar a criança interior.
Deixar acontecer...
Praticar a humildade. Adorar calor humano.
Curtir as pequenas vitórias.
Viver apaixonado pela vida!
Visualizar só coisas boas.
Entender que há limites.
Mentalizar positivo. Ter auto-estima.
Colocar sua energia positiva em tudo que realizar!
Ver a vida com outros olhos...
Só se arrepender do que não fez.
Fazer parcerias com os amigos. Crescer juntos.
Dormir feliz.
Emanar vibração de amor...
Saber que estamos só de passagem.
Melhorar os relacionamentos.
Aproveitar as oportunidades.
Ouvir o coração...
Acreditar na vida!

























































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Thursday, September 23, 2004

Eu quero!!! rs Este livro deve ser muito bom!!

posted by carolrosachoque at 23:25 | link | comments (2)

"Gostar de si mesmo, sem egoísmo.
Apreciar as pessoas em volta.
Cuidar da saúde mental e física.
Gostar dos seus horários.
Não ficar melancólico,
mas guardar na lembrança
as melhores coisas da vida.
E não abrir mão de ser feliz.
A busca da felicidade
já justifica a existência
".

(Dorival Caymmi)












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Wednesday, September 22, 2004

Neste Domingo na TVE Rede Brasil:

Cadernos de Cinema – 23h30

Estrela nua

Glória, uma jovem atriz em início de carreira, é escalada para dublar a voz de Ângela, a estrela de um filme inacabado,  morta em um acidente fatal. A experiência afeta Glória, profundamente, obrigando-a a cruzar a fronteira do delírio e da razão. Destaque para a música de Arrigo Barnabé.

Drama. De José Antônio Fernandez Garcia e Ícaro Martins. 1985. Cor. 95 min. Com Cristina Aché, Carla Camurati, Patrício Bisso, Selma Egrei, Jardel Melo, Cyda Moreira, Ricardo Petraglia, Vera Zimmermann. Ganhador do Prêmio Especial do Júri Air France; premiado com melhor roteiro, direção e fotografia pela Associação Paulista de Críticos de Arte; Prêmio Especial do Júri e de melhor atriz coadjuvante (Carla Camurati) no Festival de Gramado; e melhor direção, atriz, figurino, cenografia e música no Rio Cine Fest.

Os convidados de Vera Barroso para o debate, após o filme, são a atriz Cristina Aché, o diretor de teatro Marcus Vinicius Faustini, o psicanalista Luiz Fernando Gallego e o escritor e crítico de cinema Marcelo Moutinho.

Direção de Wagner Correa de Araújo.

Apoio cultural Petrobras.

Reapresentação aos sábados, 23h30.

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E a primavera chegou, maravilha!!!
 Adoro primavera e verão, são minhas estações favoritas!!

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A Bela da Tarde, um de meus filmes favoritos, 
está sendo exibido no Telecine Classic. 

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Sunday, September 19, 2004

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O Cortiço - Aluísio de Azevedo

O Cortiço (1890), expressão máxima do Naturalismo Brasileiro, apresenta como personagem principal João Romão, português que pode ser encarado como metáfora do capitalismo selvagem, pois tem como principal objetivo na vida enriquecer a qualquer custo. Ambicioso ao extremo, não mede esforços, sacrificando até a si mesmo. Veste-se mal. Dorme no mesmo balcão em que trabalha. Das verduras de sua horta, come as piores: o resto vende.

Mas sua ascensão não se vai basear apenas na autoflagelação. Explora descaradamente o próximo. O vinho que vende aos seus clientes é diluído em água (fica aqui nas entrelinhas a idéia de que o brasileiro está destinado a ser explorado pelo estrangeiro). Mas o mais sintomático de seu caráter está na sua relação com Bertoleza.

Era essa uma escrava que ganhava a vida vendendo peixe frito diante da venda de João Romão. Os dois tornam-se amantes. O protagonista aproveita as economias dela e, mentindo que havia comprado a sua carta de alforria, investe em seus próprios negócios, construindo três casinhas, imediatamente alugadas.

Com o tempo, de três chegam a 99 casinhas (na realidade, o progresso é devido não só ao tempo. Há também o dinheiro dos aluguéis que vai sendo investindo, numa postura claramente capitalista, e também o furto que João Romão e sua amante vão realizando do material de construção dos vizinhos), tornando-se o Cortiço São Romão (a maneira como Aluísio Azevedo descreve a origem e o estágio atual desse fervilhar tem claro gosto naturalista. No primeiro aspecto, as condições do meio – água à vontade – permitiram que a moradia coletiva se desenvolvesse. Existe, nesse tópico, uma forte influência dos avanços que a Biologia estava tendo na época. Quanto ao segundo aspecto, a maneira como são descritos os moradores em sua agitação, semelhantes a larvas minhocando num monte de esterco, é de uma escatologia tradicional a essa escola literária, rebaixadora ou mesmo aniquiladora da nobreza humana, ao comparar degradantemente suas personagens a animais, num processo conhecido como zoormorfismo). Aqui está a salvação do romance. Aluísio Azevedo tem deficiências no trato de personagens, tornando-as psicologicamente pobres, o que pode ser desculpável, pois o Naturalismo tem uma predileção por tipos. Essa característica vem a calhar a um autor que se notabilizara como caricaturista.

De fato, os moradores do cortiço vão formar uma galeria de tipos extremamente rica, colorida, autorizando-nos a dizer que essa coletividade é que se torna a melhor personagem da obra. A moradia coletiva comporta-se como um só personagem, um ser vivo.

Nesse lugar, encontramos inúmeras figuras, cada uma representando um mergulho nas diferentes taras (o enfoque das patologias sexuais, apresentando o homem com um prisioneiro dos instintos carnais – bem longe da imagem idealizada de racionalidade e nobreza – é uma das predileções do Naturalismo) e facetas da decadência humana.

Há vários exemplos, como Neném, adolescente negra de libido explosiva que acaba perdendo a virgindade nas mãos de um empregado de João Romão. Cai na vida. Existe também Albino, de tendências homossexuais, ou então Machona, de pulso firme, tanto denotativa quanto conotativamente. Botelho, homem corroído pelas hemorróidas (a menção a esse detalhe, degradante, é típica do Naturalismo) e pelo pior tipo de materialismo – o alimentado pela cobiça de quem não tem nada. Pombinha, moça afilhada da prostituta Léonie, que é responsável também por sua iniciação sexual. A menina é noiva de João da Costa. Seu casamento seria a garantia de saída daquela moradia pobre. Mas sua mãe tinha escrúpulos que adiavam o casamento: enquanto a filha não se tornasse mulher – ou seja, tivesse sua primeira menstruação – não podia casar-se. No entanto, a menarca estava por demais atrasada, o que se transformava num drama acompanhado pelos moradores do cortiço, que a tratavam como a flor mais preciosa (é também típica do Naturalismo essa força que os aspectos biológicos exercem sobre o caráter da personagem. Enquanto não tem sua primeira menstruação, é menina pura. Tanto que, uma das poucas alfabetizadas e dotadas de tempo ocioso, dedica-se a ler e a escrever as cartas dos diversos moradores do cortiço, entrando em contato com a podridão das paixões humanas. Mas isso não macula sua inocência até o momento em que, mulher – ou seja, já capaz de menstruar e, portanto, cumprir seu papel biológico de reprodução –, adquire maturidade para entender o que se passa entre aquela multidão de machos e de fêmeas. Com nojo de tudo o que via, desencanta-se). No fim, vira lésbica e cai na vida, principalmente por influência de sua iniciadora, Léonie (outra leitura interessante que se pode fazer em O Cortiço é captar o destino a que é submetida a mulher. Ou se torna objeto do homem, ou sabe seduzir, de objeto tornando-se sujeito, ou despreza-o totalmente. Qualquer uma dessas posições é, na óptica da obra, degradante).

Mas a mais famosa personagem é a mulata Rita Baiana. Flagramo-la voltando de uma temporada com seu mais novo namorado, Firmo. Ela representa a explosão de sensualidade de um tipo brasileiro (nesse ponto, há uma famosa característica do Naturalismo: o Determinismo. O comportamento humano, de acordo com essa doutrina filosófica, estaria condicionado a fatores de raça, meio e momento. Assim, Rita Baiana, como mulata e brasileira (raça e meio), seria sensual. Uma leitura mais rigorosa hoje entenderia essa doutrina como uma pseudociência a disfarçar um preconceito).

Como é adorada pelos homens, mulheres e crianças do cortiço, seu retorno é marcado por imensa festa. É nesse momento que acaba encantando o coração de Jerônimo, português recém-chegado à moradia, que viera para trabalhar na pedreira de João Romão. Sua paixão faz com que se abrasileire imediatamente. Perde o vigor típico de sua raça para o trabalho. Passa até a gostar de nossa bebida e comida (mais uma vez, o meio influenciando a personalidade. Mais uma vez, o Determinismo, mesclado a visões preconceituosas).

Sua paixão vai esbarrar nos brios de Firmo, que chega a se desentender com o português. Num golpe de capoeira, rasga a barriga do estrangeiro com uma navalha. Situação crítica, passa a morar num outro cortiço na mesma rua, apelidado de Cabeça de Gato (havia quem dissesse que esse segundo cortiço pertencia a alguém da nobreza, talvez até ao Conde d’Eu, marido da Princesa Isabel, o que revelaria a existência de gente que se beneficiava com o processo desorganizado de urbanização no Brasil, gerador de sub-moradias como os cortiços), o que acirra a rivalidade entre as duas moradias.

A situação piora quando Jerônimo manda matar a pauladas o seu rival. Enquanto foge com Rita Baiana (abandonando descaradamente sua esposa), as duas moradias mergulham num conflito. O Cortiço São Romão sofre a invasão dos moradores do Cabeça de Gato, que só é interrompida por causa de um incêndio que eclode.

Facilmente João Romão, rico, refaz o seu cortiço. Aliás, está com outros planos: quer subir o nível de seus moradores. É um reflexo de seu desejo: quer aceitação social. Para tanto, além de ativar uma vida social, sonha em se casar com a filha de seu vizinho, Zulmira.

Esse nobre morador era também português, há mais tempo estabelecido no Brasil. Seu nome: Miranda (assim como na relação entre Léonie e Pombinha, no caso Miranda e João Romão há uma demonstração do Determinismo. Personagens submetidas às mesmas influências acabam tendo o mesmo destino). Havia-se mudado para a periferia na vã esperança de que, longe do Centro, sua esposa iria deixar de traí-lo. Inútil. Estela (esse era o nome dela) era obcecada por sexo, fazendo-o indiscriminadamente com os empregados e até com gente mais jovem, como Henriquinho, moleque que fora hospedado pelo marido. Fazia-o até com o marido, mesmo brigados. De noite, os dois entregavam-se aos instintos; de dia, nem se falavam (a maneira como Miranda se utiliza de sua esposa é de uma escatologia de claro gosto naturalista: usa a mulher como alguém que recorre a uma escarradeira).

Miranda enxergava João Romão como inimigo provavelmente porque, além de estar com inveja de seu enriquecimento volumoso, sentia-se incomodado com aquela gentalha agitada grudada nos fundos de sua casa. No entanto, entra em acordo de interesses com seu agora ex-inimigo. Miranda tem a nobreza de que João Romão necessita. João Romão tem o dinheiro de que Miranda necessita. Nada mais conveniente do que a união de famílias.

O problema era Bertoleza. Sem o mínimo escrúpulo, João Romão denuncia aos herdeiros do antigo dono dela o paradeiro dessa escrava fugida. Só que ele não contava que ela, quando da visão dos soldados, fosse rasgar sua própria barriga com a mesma faca com que tratava peixe, estrebuchando como uma anta até morrer (essa cena final, dotada de inúmeros traços degradantes, é um dos primores do estilo naturalista. Vale a pena ser lida).

Ironicamente, assim que essa espantosa cena se desenrola, pára diante da casa de João Romão uma carruagem. Dela descem pessoas que vinham entregar uma homenagem ao protagonista, por ter-se mostrado um homem preocupado com a situação do negro e a causa abolicionista. Um final irônico, bem ao sabor de Eça de Queirós, seu grande mestre (há quem enxergue nessa filiação queirosiana uma explicação para os lusitanismos tão comuns nos textos de Aluísio Azevedo. Na realidade, a justificativa para esse fato é outra. Em primeiro lugar, esse autor naturalista é filho de portugueses, o que já faria compreensível o emprego de expressões típicas da variante européia de nossa língua. Além disso, o escritor é nascido e criado em São Luís do Maranhão, cidade que, na época, ainda mantinha fortíssimos vínculos com Portugal, influenciando até em sua linguagem).

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Tônia Carrero, Ziembinsky e Inezita Barroso estão no Cine Brasil

Uma das últimas produções da Vera Cruz em sua fase áurea, É Proibido Beijar é a atração do Cine Brasil. O filme marcou a estréia na direção do premiado fotógrafo italiano Ugo Lombardi (pai da atriz Bruna Lombardi), em 1954.

É a história de um cronista mundano, Eduardo, que quer se tornar um repórter policial. Para tanto desvenda um crime misterioso mas não consegue que o diretor do seu jornal o promova.

É noivo de Suzy, que trabalha numa boate. Encarregado de entrevistar uma famosa atriz, June, envolve-se em várias situações embaraçosas que são criadas por Suzy e por outros dois repórteres, Harry e Steve, que seguem June desde a chegada dela ao Brasil. Diversas tramas e apostas se sucedem até que Eduardo e June podem, finalmente, se beijar apaixonadamente.

Ficha técnica: Ano de Produção: 1954;Produção: Vera Cruz, Dino Badessi preto e branco; Direção: Ugo Lombardi ; Argumento: Alessandro de Stefani ; Diretor de Fotografia: Ugo Lombardi ; Cenografia: João Maria dos Santos ; Montagem: Oswald Haffenrichter ; Música: Enrico Simonetti ; Elenco: Tônia Carreiro, Mário Sérgio, Ziembiniski, Otelo Zeloni, Inezita Barroso, Renato Consorte, Nelson Camargo, Vicente Leporace, José Rubens, Margot Bittencourt, Carlo Pes, Vitor Merinow, Joaquim Mosca, José Mercaldi, Eric Rzepecki

Cine Brasil tem apresentação de Rubens Ewald Filho.




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Friday, September 17, 2004

*VOTEM EM MINHA ENQUETE* (Nossa...rs):

Qual destas atrizes vc gostaria de ver novamente na telinha e na telona?

http://www.enquetes.com.br/popenquete.asp?id=505186

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Thursday, September 16, 2004

Cenas do filme ""Lust for a Vampire" deve ser muito bom pelas fotos!!

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Wednesday, September 15, 2004

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Sunday, September 12, 2004

Um de meus filmes favoritos vai passar amanhã no Canal Brasil, eu amodoro este filme, retrata a sociedade brasileira no fim dos anos 60 e começo dos anos 70 e os jovens de então, vale muito a pena assistir:

Penúltima Donzela, A (1969) - BR

Moça virgem, de pais conservadores, acaba se entregando ao primeiro namorado. O relacionamento não dá certo e ela acaba se envolvendo com um homem muito mais velho, para desespero da família.

Horario(s): duração: 78 min
13/09 - 14:30
15/09 - 09:30

Direção: Fernando Amaral

Elenco: Djenane Machado, Abel Pêra, Ida Gomes, Olga Danitch, Flávio Migliaccio, Fregolente, Henriqueta Brieba, Adriana Prieto, Carlo Mossy, Jacy Campos, Maria Pompeu, Beatriz Veiga, Paulo Porto












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Comédia com sabor de milagre

Este Cine Brasil, exibe O Santo Milagroso. O filme é de 1966 e sua trama é baseada na premiada peça teatral de Lauro César Muniz. A história acontece numa pacata cidade do interior, quando um padre, interpretado por Dionísio Azevedo, e um pastor protestante, personagem de Leonardo Vilar, descobrem que têm muito em comum, apesar da discordância religiosa.

A sintonia entre os dois se dá principalmente pelo fato de serem os únicos jogadores de xadrez na região. Temerosos à reação popular, eles passam a se encontrar às escondidas para o joguinho diário. Porém, a tranquilidade é rompida quando, num encontro apaixonado, a irmã do pastor (Vanja Orico) e o sacristão (Geraldo Del Rey) surpreendem-os, obrigando o pastor a se esconder sob o manto de uma imagem de santo.

Na conversa do padre com o casal, surge uma voz que parece vir do além: era o pastor. Isto é o bastante para que toda cidade se transforme, com a crença no milagre do "santo que fala". Na verdade, O Santo Milagroso, que foi dirigido por Carlos Coimbra, trata com humor o ecumenismo, e traz uma boa dose de crítica às grandes discussões que este tema gerava dentro da Igreja Católica.

Elenco: Dionísio Azevedo, Leonardo Vilar, Vanja Orico, Geraldo del Rey, Geraldo Gamboa, David Neto, Roberto Ferreira, Percy Ayres, Aluízio de Castro, Saturno Cerra, Ugo Zamuner, Edgard Ferreira, Maria da Conceição, José de Almeida, Maria Madalena. Participação especial: Grupo Folclórico de Solano Trindade e Ignácio de Loyola Brandão. Direção: Carlos Coimbra, Produtora: Cinedistri - 1965 - 86 minutos

Hoje na TV Cultura- 16:30

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Saturday, September 11, 2004

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TVE Brasil inicia mudanças na sua grade de programação

 

A partir de sexta-feira, dia 17 de setembro, às 18 horas, estréia Código de Barras, comandado por Carlos Cataldi e Maria Helena Steban, que debaterão os problemas que afetam o cidadão brasileiro no seu dia-a-dia. A nova produção fará parte de uma série de programas dedicados à defesa do consumidor, cidadania e prestação de serviços, que irão ao ar de segunda à sexta-feira, logo após o Sem Censura. Entre as produções desta faixa estão Programa Especial, dedicado à inclusão social, Caminhos e Parcerias, com as soluções inovadoras apresentadas pelo terceiro setor, Direito em Debate, onde questões jurídicas são apresentadas ao público de forma simples e acessível, e Saúde Brasil, com orientações para a promoção da saúde e qualidade de vida à sociedade.

 

Às sextas-feiras, a TVE Brasil inaugura a faixa Sexta Independente, a partir das 21h, brindando o telespectador com produções de caráter independente, exibindo musicais, documentários, entre tantas outras surpresas.  

 

 

Boletim n.° 37 – 2004 

 

12 A 18 DE SETEMBRO DE 2004

DESTAQUES DE PROGRAMAS E FILMES

 

 

DOMINGO, 12 DE SETEMBRO

 

Acervo MPB – 18h

Lucinha Lins

O show da cantora e atriz que a série exibe, neste domingo, foi gravado ao vivo no Teatro RivalBR, em maio de 2003. Acompanhada ao piano por Geraldo Flach, Lucinha Lins canta composições de Sueli Costa, que foram sucesso na sua interpretação. Entre as mais conhecidas 20 anos blue (Sueli Costa / Vitor Martins), Dentro de mim mora um anjo (Sueli Costa / Cacaso), Insana (Sueli Costa / Ana Terra), Coração ateu (Sueli Costa), Alma (Sueli Costa / Abel Silva), Jura secreta (Sueli Costa / Abel Silva), Altos e baixos (Sueli Costa / Aldir Blanc), além da clássica Purpurina (Jerônimo Jardim).

Direção de Luiz Carlos Pires.

Reapresentação às quintas-feiras, 1h15.

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Curta Brasil – 23h30

O programa exibe os documentários Restos e Diário do sertão, produzidos em 2003. Restos (Cor, 11min), de Cristina Maure e Pablo Lobato, mostra as sobras de cinco cidades em uma noite. O outro, Diário do sertão (Cor, 14min), de Laura Erber, explora de forma original as imagens do sertão de Minas Gerais, o sertão de Guimarães Rosa, colocando frases da literatura de volta a esse território ao mesmo tempo áspero, hostil e mágico, na boca de pessoas da região.

Apresentação de Ivana Bentes. Direção de Plínio Bariviera.

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Cadernos de Cinema – 23h30

O toque do oboé                                           

Num decadente povoado, em algum lugar da América Latina, a chegada de Augusto, um músico brasileiro, provoca acontecimentos extraordinários. Um tipo introvertido, ele desembarca na estação ferroviária da cidade e se dirige ao cemitério para tocar, tranqüilamente, o seu oboé. O som que sai do instrumento atrai magicamente os moradores do povoado, fazendo com que até mesmo o defunto se levante de seu caixão para conferir o que está acontecendo. Em uma cidade morta pelo tempo, é interessante a observação do efeito da inércia sobre seus habitantes: a telefonista não sabe como completar uma ligação, a prostituta não sabe como agir com um cliente e, até mesmo o padre, que passa seus dias a dormir no confessionário, já se esqueceu de alguns pontos da doutrina Católica.

De Claudio Mac Dowell. 1997. Cor. 119min. Com Paulo Betti, Letícia Vota, Mario Lozano e Arturo Freitas. Música de Wagner Tiso. Kikito de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante (Mario Lozano), no Festival de Gramado; Melhor Filme - Escolha do Júri e Melhor Filme - Escolha do Público, no Festival de Filmes Brasileiros de Miami.

Os convidados de Vera Barroso para o debate, após o filme, são o ator Paulo Betti, o cineasta cubano Antonio Molina, o maestro José Schiller e o crítico de cinema Bruno Porto.

Direção de Wagner Correa de Araújo.

Apoio cultural Petrobras.

Reapresentação aos sábados, 23h30.

 

 

SEGUNDA-FEIRA, DE 13 DE SETEMBRO

 

Gema Brasil – 19h

Nesta segunda-feira, 13, Rodolfo Bottino entrevista o poeta, letrista, comunicólogo e dramaturgo, Chacal, um dos personagens mais influentes do cenário literário carioca. Na terça, 14, o convidado é o instrumentista, arranjador, compositor e produtor musical Durval Ferreira. Na quarta, 15, e na quinta, 16, o empresário húngaro István Wessel, dono do sobrenome que é símbolo de uma das marcas mais conceituadas no ramo de carnes. Na sexta, 17, a atriz  Patricia Pillar, que está no ar na Rede Globo, na novela Cabocla.

Produção Made for TV.

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Revista do Cinema Brasileiro – 21h30

32° Festival de Gramado 

Esta edição dá continuidade à cobertura do 32° Festival de Gramado. Julia Lemmertz destaca os longas-metragens Vida de menina, de Helena Solberg, e O cárcere e a rua, de Liliana Sulbach, vencedores nas mostras de documentário e ficção. Também é possível conferir a exibição de curtas, selecionados entre os 14 que participaram da mostra. Fora do festival, o programa acompanhou o lançamento do filme Redentor, de Cláudio Torres, que é um dos entrevistados de Júlia Lemmertz. A narrativa acompanha um jornalista, que acredita ter recebido de Deus a missão de salvar um ex-amigo de infância, envolvido num grande escândalo imobiliário. O filme traz no elenco Pedro Cardoso, Camila Pitanga e Miguel Falabella.

Produção Marco Altberg Cinema e Vídeo.

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Contos da Meia-Noite – meia-noite

Nesta segunda, dia 13, O jantar, de Antônio Bulhões, com Walmor Chagas. Na terça, 14, Morte súbita, de Charles Kiefer, com Paulo César Pereio. Na quarta, 15, Os músculos, de Ignácio de Loyola Brandão, com Walmor Chagas. Na quinta, 16, A caçada, de Lygia Fagundes Telles, com Antonio Abujamra. Na sexta, 17, Três tesouros perdidos, de Machado de Assis, com Beatriz Segall.

Apresentação de Teresa Freire. Realização da TV Cultura.

 

 

TERÇA-FEIRA,  14 DE SETEMBRO

 

A Verdade – 21h

Neville D’Almeida

Nesta terça-feira, o convidado a dizer sua verdade é o ator, desenhista, fotógrafo, escultor e mestre da direção, Neville D’Almeida. A dama da Lotação, com Sônia Braga, e Os Sete Gatinhos são alguns de seus sucessos polêmicos. Na entrevista a Fernando Pamplona, Neville opina sobre o andamento das mudanças na Lei Rouanet e diz que este não é um bom momento para taxar o áudio-visual. “Esta é uma época em que as autoridades deveriam ter idéias criativas para o cinema, e não para essa voracidade tributária. O cinema nacional é um dos mais criativos do mundo. O mundo seria mais feliz se houvessem mais filmes brasileiros em cartaz”, afirma.

Direção de Gustavo Lopes.

Reapresentação aos sábados, 18h.

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Conversa Afinada – 23h30

Quarteto Maogani

Esta semana, Cuca Lazzarotto abre espaço para a música instrumental e recebe o quarteto de violões Quarteto Maogani. Marcus Tardelli (violão requinto), Marcos Alves (violão), Carlos Chaves (violão) e Paulo Aragão (violão de 8 cordas) receberam o prêmio RivalBR 2004 com o disco Água de beber. O tributo a Tom Jobim, com releituras violinísticas do poeta, será lançado também na Alemanha, Polônia, Itália e Holanda. Na conversa, eles revelam a Cuca o significado do nome do quarteto e falam da influência do Projeto Pixinguinha na carreira do grupo. O repertório do programa inclui samba, choro, baião e bossa nova representados por Imagina (Tom Jobim/ Chico Buarque), Frevo (Tom/ Vinícius de Moraes), Morena boca de ouro (Ary Barroso), Batida diferente (Maurício Einhorn/ Durval Ferreira), Bananeira (João Donato/ Gilberto Gil), entre outros. 

Direção de Luiz Carlos Pires.

Apoio cultural da Petrobras.

Compacto aos sábados, 17h.

 

SEXTA-FEIRA, 17 DE SETEMBRO

 

 

Estréia

 

Código de Barras – 18h

O programa enfoca questões que envolvam o direito do cidadão. A finalidade é dar orientações preventivas para quem pretende utilizar o cheque especial, passando por negociação de dívidas até a emissão de um documento. O programa indica que providências os cidadãos devem tomar para não precisar da justiça, mas caso se faça necessário, indica que caminhos seguir.  Com duração de 30 minutos, a atração semanal contará com dois apresentadores: José Carlos Cataldi e Maria Helena Esteban. A cada semana, Cataldi vai entrevistar um especialista sobre o assunto em pauta.

 

SÁBADO,  18 DE SETEMBRO

A Grande Música – 15h

Calíope

Esta edição traz o Conjunto Calíope, em concerto gravado no auditório Armando Prazeres, do Instituto Metodista Bennett, no Rio de Janeiro, em agosto. No programa, obras de Hugo Wolf, Bela Bartók, Sven-Eric Johansen e Franz Schubert. Sob a direção musical do maestro Júlio Moretzsohn, o Calíope, grupo eminentemente vocal, formado por 18 cantores e dois instrumentistas (cravo e violoncelo), busca reproduzir, estilísticamente, a sonoridade da música dos séculos XVII e XVIII. Mas, tem alargado os horizontes de seu repertório para a música romântica, tanto européia como brasileira, assim como para a música contemporânea. O maestro Júlio Moretzsohn também é o entrevistado de José Schiller, no estúdio da TVE.

Direção de Gustavo Lopes. Apresentação, comentários e direção geral de José Schiller.
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DOC TV – Brasil Imaginário – 21h

Máquina de fazer democracia – Vida em obra de Anísio Teixeira

A biografia do educador baiano Anísio Teixeira, com seu legado ao processo educacional brasileiro e sua contribuição à cultura democrática, é o tema central do documentário. Ao reconstituir a vida do, inegavelmente, maior educador brasileiro de todos os tempos, o filme enfoca suas idéias, suas propostas, suas realizações e sua luta a favor da educação integral e universal, que permanecem vivas e atuais no Brasil deste começo de século XXI.

Elaborado com base em exaustiva pesquisa bibliográfica, o roteiro está estruturado a partir de quatro blocos temáticos: a história, o pensamento, a palavra e a ação de Anísio Teixeira. E reconstitui trechos de pronunciamentos do educador na solenidade de inauguração da Escola Parque (1950), na constituinte estadual (1947) e em algumas participações suas em seminários, debates, conferências.

Criador do Centro Popular de Educação Carneiro Ribeiro, que ficou conhecido como Escola Parque, na década de 50, no bairro da Liberdade, em Salvador, Anísio também foi pioneiro criando, em 1935, a primeira universidade do Brasil, a Universidade do Distrito Federal (UDF) e, em 1960, a Universidade de Brasília (UnB). O educador foi responsável também pela criação da primeira fundação de amparo à pesquisa, a Fundação para o Desenvolvimento da Ciência na Bahia, em 1950. Empregando uma linguagem moderna, com narrativa dinâmica e atraente, o vídeo utiliza, além de material de arquivo (fotos, documentos, publicações, imagens de época), depoimentos de educadores, professores, pesquisadores, políticos, alguns dos quais conviveram com Anísio Teixeira.

Direção de Eduardo Spillberg. Co-produção de Eduardo Spillberg / Malagueta Cinema e Vídeo/ TVE Bahia / TV Cultura de São Paulo.

Reapresentação às quartas-feiras, 1h15; domingos, 19h.

 


posted by carolrosachoque at 20:56 | link | comments (1)

Olha que gracinha estas fotos das bonecas bebê baseadas em personalidades americanas!! Já pensou se no Brasil tivesse algo assim também? Eu iria adorar!!! Agora vou responder aos comments de vocês !!

Beijos Mil

Lucille Ball

Elizabeth Taylor

Marilyn Monroe

Jackeline Kennedy

posted by carolrosachoque at 16:28 | link | comments

Olha que fofo este filminho que minha irmã fez para mim em Flash com minhas atrizes preferidas!!! Pessoal amanhã estarei respondendo a todos!!! A internet está lerdíssimaaaaaaaaa  e nem no Fotolog consegui postar!!! Grrrrrrrrrrrr

Beijos a todos e um maravilhoso final de semana!!!!!!!!

posted by carolrosachoque at 00:32 | link | comments (2)

O homem nas mãos

Orígenes Lessa

 

Sim, realmente eu matei. Era a prova de amor. a suprema prova que exigira de mim. Eu dera-lhe um carro. Não gostara. Dera-lhe um apartamento. Apenas o aceitou. Dei-lhe um iate. Não se convenceu. Já me atirara a seus pés, muitas vezes, sem êxito algum. E antes de me ajoelhar e antes do automóvel, do apartamento e do iate, já lançara mão de todos os recursos ao alcance de um apaixonado em pleno delírio. Nada a comovera. Só acreditaria, só aceitaria um grande, um infinito. um amor sobre-humano. Assim julgava eu o meu amor. Ela não se convencia. porém. E eu sofria e escrevia poemas e chorava ao luar. Era a inatingível. Ofereci-lhe a minha vida. Recusou. Jurei que me mataria em seguida, se ela cedesse. Ela sorriu. "Pede-me o impossível", dizia eu. E ela sorria. Para os grandes amores não existe o impossível. Estava. toda inteira, nessa minha proposta, a prova definitiva de inexistência do amor em meu coração. E eu continuava me multiplicando em humildade e entregas desvairadas.

Um dia, olhei para a minha vida. Estava arruinado. Nada mais tinha de meu. Se ela quisesse um automóvel novo. um iate mais recente, um apartamento maior, já não os poderia dar. Meu desespero foi, então, sem nome. Perdera a última esperança. Mas conservava ainda a capacidade de argumentar, estranho poder de raciocinar friamente. Atirei-me de novo a seus pés. Se não era o dinheiro, se não eram tributos materiais de amor o que esperava, mas a prova apenas de um grande amor, a prova ali estava, na minha miséria. Que exigia agora ? Que podia esperar ?

— Enriqueça de novo.

E dentro em pouco — somente eu, ninguém mais, pode falar do que é capaz um grande amor — estava rico outra vez. Novo automóvel ? Dela. Viagem à volta do mundo ? Teve. Jóias? Colares? Todo dia. Festas? Jantares? Boates? Uma eu construí exclusivamente para ela e seus amigos. Três semanas depois, entediada, me dizia:

— Pode fechar a boate.

E eu fechei.

Abri e fechei em vão. Como em vão fora tudo. Era tédio e ceticismo. Certa noite, alucinado, eu a levava de automóvel por uma estrada maravilhosa.

— Você quer a lua ?

Ela sorriu.

— Não. Mate aquele homem.

A luz clara do luar, caminhava um pobre vulto à nossa frente, cem metros além. Pisei o acelerador. Teve a duração de um relâmpago.

— Vamos ver se morreu, disse ela.

Voltamos.

Sim, valeu a pena. Ela foi minha. Foi minha, afinal. E a vida se iluminou. Vivi alguns dias ou anos ou séculos — até hoje não sei — na mais total felicidade. A natureza cantava, os pássaros cantavam, o mar cantava, as ruas cantavam, as casas cantavam, cantavam os homens anônimos nas ruas. Até que ela começou a não acreditar outra vez. E eu voltei a dobrar-me a seus pés. E a suplicar, a pedir, como um doido. Desci a todos os extremos. Ate cantei boleros. Inutilmente. Foi quando, depois de novos boleros e jóias, ela me pediu outra vida. Apressei o carro — o luar era lindo — e tive-a novamente em meus braços. E daí por diante esse foi o preço. A sorte me ajudava de maneira espantosa no jogo. Do produto de uma noitada ofereci-lhe um colar de um milhão. Ela olhou o colar, abandonou-o displicente no sofá.

— Eu quero é sangue.

Levantei-me, com a chave do automóvel na mão.

- A tiro, disse ela.

Voei para casa, apanhei o revólver, ela ao meu   lado.

— Eu quero ver.

Viu.

Tive-a de novo.

Passou tempo, depois disso.

Confesso, agora, confesso humildemente, que o amor também passou. Não sei como. Não sei quando. Foi de repente, foi aos poucos, não sei. Acabou. Hoje eu mato, mato quando ela me pede, quase por constrangimento, por hábito talvez. Porque ela pede. Talvez para não desapontá-la. Talvez para não me desapontar. Talvez querendo iludir-me. Talvez por displicência, por preguiça mental, preguiça de reagir . Mato sem vontade, mato sem paixão, quase uma questão de rotina. Pediu, eu mato. Adquiri o hábito de obedecer. Ficou em mim, entrou no meu sangue, esse automatismo. Uma jóia ? Eu compro. Um carro ? Eu dou. Um homem ? Eu mato. Eu não tenho é meio de recusar. Não me interessa mais, não quero mais, mas faço. Faço, obedeço. Negar não sei.

O pior é que, pelo jeito. ela anda querendo que eu me apresente à polícia...


Orígenes Lessa
nasceu em Lençóis Paulista, a 12 de julho de 1903. Colaborou e trabalhou em diversos veículos de comunicação, tendo feito sua estréia nos jornaizinhos escolares, com 12 ou 13 anos. Tentou, sem continuidade, diversos cursos superiores. Ingressou como tradutor no Departamento de Propaganda da General Motors, que teria grande influência na sua vida profissional: tornar-se-ia um dos publicitários de maior renome do País. Tomou parte ativa na Revolução Constitucionalista em 1932. Em 42, fixou-se em Nova York trabalhando no Coordinator of Inter-American Affairs, tendo sido redator da NBC em programas irradiados para o Brasil. Regressou ao Rio de Janeiro em meados de 43. Escritor, com uma obra bastante extensa, publicou, entre outros: Rua do Sal (Prêmio Carmen Dolores Barbosa — romance); O Escritor proibido (contos); Garçon, Garçonette, Garçonnière (menção honrosa da Academia Brasileira de Letras); O Feijão e o Sonho (romance — Prêmio António de Alcântara Machado, 15 edições com mais de 200.000 exemplares vendidos); 9 Mulheres (contos — Prêmio Fernando Chinaglia); O Evangelho de Lázaro (romance — Prêmio Luíza Cláudia de Souza do Pen Club do Brasil, 1972); e Beco da Fome. Incursionou pela literatura infanto-juvenil com muito sucesso, publicando oito ou dez volumes, um dos quais, Memórias de um Cabo de Vassoura, bateu a vendagem de O Feijão e o Sonho. Seus contos têm sido traduzidos para o inglês, espanhol, romeno, tcheco, alemão, árabe, hebraico, e várias vezes radiofonizados, não só no Brasil, mas também na Polônia.

Faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 13 de julho de 1986. Foi eleito em 9 de julho de 1981 para a Cadeira n. 10 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Osvaldo Orico. Casado com Elsie Lessa, jornalista, é pai do escritor Ivan Lessa.


Texto extraído do livro “Balbino, homem do mar”, Livraria José Olympio Editora – Rio de Janeiro, 1960, pág. 184, mais uma colaboração do “rato de sebo” José Antônio Bührer. Com este texto, homenageamos
Orígenes Lessa pelo seu centenário de nascimento.























































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Tuesday, September 07, 2004

Primeiros sons do Hino da Independência- Augusto Bracet

Museu Histórico do Rio de Janeiro

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FELIZ DIA DA INDEPENDÊNCIA E DIA DA PÁTRIA PARA TODOS

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Sunday, September 05, 2004

Uma cena do filme Frida, muito bom, adoro a Salma Hayek!!

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Filme inspirado na peça Espírito de Porco traz no elenco Procópio Ferreira e Eliana Macedo

A TV Cultura exibe no Cine Brasil o filme Titio Não É Sopa. Dirigido por Eurides Ramos o filme é baseado na peça Espírito de Porco, de Henrique Marques Fernandes.

Procópio Ferreira é Gregório, um tio rico que vem do Pará visitar seu sobrinho no Rio de Janeiro. Paulo (Herval Rossano), seu esperto sobrinho, convence o velho a fazer uma doação em dinheiro para a construção de um asilo para velhos desamparados, mas utiliza-o na construção de uma boite.

O filme conta ainda com a participação de Eliana (Verinha), uma espécie de afilhada predileta de Gregório que, num dos pontos altos do filme, interpreta uma versão da marcha carnavalesca Mamãe Eu Quero, com arranjos de Radamés Gnatalli. Os outros números musicais do filme são: Baiano Burro Nasce Morto, com Gordurinha e Mário Tupinambás, e a guarânia Quero Beijar Tuas Mãos, cantada por Anísio Silva.

Ficha Técnica: Titio Não É Sopa; Ano de Produção: 1960; Direção: Eurides Ramos; Música: Vicente Paiva e Radamés Gnatalli; Produção: Oswaldo Massaini; Produtores Associados: Eurides Ramos e Alípio Ramos; Diretor Geral de Produção: Alípio Ramos; Assistente de Produção: João Macedo; Fotografia e direção de números musicais: Hélio Barrozo Netto; Elenco: Procópio Ferreira, Eliana Macedo, Herval Rossano, Ronaldo Lupo, Nancy Montez, Afonso Stuart, José Policena, Zélia Guimarães, Sônia Morais, Rafael de Carvalho, Paulo de Carvalho, Grijo Sobrinho, Angelito Mello, Delfim Gomes, Azelita Ivantes, Luiz Mazzei e Chiquinho; Duração: 80 minutos





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Saturday, September 04, 2004

TVE REDE BRASIL abre sua programação na semana das comemorações da Independência do Brasil com a exibição de Guerra do Brasil, no domingo, 5 de setembro, na faixa Cadernos de Cinema, às 23h30. O documentário de Sylvio Back enfoca a Guerra do Paraguai com depoimentos de especialistas no conflito que durou seis anos e vitimou quase um milhão de pessoas. No dia 7 de setembro, a rede transmite, ao vivo, de Brasília, a partir das 9 horas, o tradicional desfile militar, intercalado com flashes da parada das tropas do Comando Militar do Leste, que também acontece no Rio de Janeiro. O Sem Censura destaca em edições especiais na segunda, 6, e na terça, 7, “brasileiros que são orgulhos do Brasil”, como os baianos João Ubaldo Ribeiro e Maria Bethânia, e o Rei Pelé, foco da entrevista do produtor de cinema Aníbal Massaíni, autor do documentário Pelé Eterno. Ainda no dia 7, o A Verdade entrevista o cronista da Música Popular Brasileira, Tárik de Souza, autor do livro Tem mais samba – das raízes à eletrônica, que revela a importância da MPB na formação da cidadania brasileira. Durante o período, também as atrações Atitude.com, Supertudo vão exibir reportagens e receber convidados que acentuam o sentido de brasilidade. Encerrando a semana temática, no sábado, 11, o Comentário geral tem como tema Brazil com Z, com a opinião de especialistas e comentaristas do  olhar estrangeiro sobre o Brasil.

Vale a pena conferir

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Esta é uma poesia que minha mãe adora, embora eu sempre a achei uma poesia um pouco triste pois não quero nem pensar neste tema!! Faz tempo que não sou mais criança mas não me imagino sem minha mãe ao meu lado!! Nem sem meu pai!! Enfim hoje é o dia do aniversário dela então resolvi colocar aqui para ela ler

PARABÉNS MÃE!!!! VOCÊ AINDA É UMA MOCINHA, MAMÃE JOVEM MINHA!!

 

PARA SEMPRE

Por que Deus permite

Que as mães vão se embora?

Mãe não tem limite

é tempo sem hora,

luz que não apaga

quando sopra o vento

e chuva desaba,

veludo escondido

na pele enrugada,

água pura, ar puro,

puro pensamento.

Morrer acontece

com o que é breve e passa

sem deixar vestígio.

Mãe, na sua graça,

é eternidade.

Por que Deus se lembra

-  mistério profundo –

de tirá-la um dia?

Fosse eu o Rei do Mundo,

baixava uma lei:

Mãe não morre nunca,

Mãe ficará sempre

junto do seu filho

e ele, velho embora

será pequenino

feito grão de milho.

 

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

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Friday, September 03, 2004

Apolônio Brasil – o Campeão da Alegria, de Hugo Carvana

Brasil, 2003

Apolônio Brasil começa com Marco Nanini cantando uma música ao piano, completamente cercado pela escuridão. O verso final e principal da letra dá a chave de compreensão do filme: "Agora é recordar". Não há qualquer dúvida que Carvana fez um filme memorialista, uma ode aos tempos por ele vividos, tempos que muitas vezes remetem a seus outros filmes. O paralelo com Bar Esperança é o mais inevitável, ainda que aja uma diferença central e importantíssima: enquanto o filme de 1983 trata do presente, este novo filme de Carvana se apóia no passado. Só que, ainda assim, visto hoje Bar Esperança parece tão mais carregado de uma certa melancolia, de uma noção de finitude de um momento histórico-social que impregnava os personagens do filme. Nele você podia sentir o processo de uma mudança em curso, visto com olhos nem tão otimistas assim. Já em Apolônio, ao olhar para o seu passado (e o de sua geração), Carvana opta por celebrá-lo - e com isso o filme ganha um tom muito mais "para cima" por assim dizer. Por isso, sendo paradoxal e fazendo todo sentido, ao mesmo tempo, vistos com os olhos de hoje o filme sobre o presente parece muito mais "saudosista" do que o filme sobre o passado.

Há uma chave para decifrar o porquê deste fenômeno, e ela está numa frase dita por um dos personagens quando ele aparece num dos vários "flashbacks". Ainda jovem (em comparação aos personagens envelhecidos que narram a história no presente), ou seja, numa chave de tempo que em si devia se referir a um certo memorialismo no registro, ele afirma: "Bons tempos aqueles...", se referindo aos amores de sua infância. O que esta frase deixa bem claro é que os bons tempos, quando vistos pelos olhos da memória, sempre serão outros, anteriores, idealizados, passados. Por isso, o filme assume um olhar que está longe do generalizante "as coisas não são mais como eram", que domina, por exemplo, um Invasões Bárbaras. Para Carvana não importa comparar as coisas como são com o que já foram. Importa sim é deixar claro que para seus personagens (e para todos nós), os tempos passados sempre serão os "bons tempos" no discurso, embora se continue vivendo o presente à toda (e transformando-o no que logo depois serão os "bons tempos" do futuro...). Isso fica muito claro quando Pedro X afirma no final ao amigo Apolônio, falecido, que espera vê-lo no Céu, mas "que ainda demore um bom tempo". Ali fica claro que, por mais que o filme celebre um passado, os personagens ainda têm gana de viver o seu presente – há boas lembranças de um amigo que partiu a serem divididas, mas ninguém parou de viver por isso. Não por acaso, pela segunda vez (a outra no já citado Bar Esperança), o bar-símbolo de um filme dele é fechado com festa, com bebedeira, com celebração – e, no fechamento do Golden Night um outro personagem afirma: "São outros tempos, mas a vida, essa continua!".

O registro deste passado recordado é o da fantasia e não o da realidade de um "tempo melhor", e por isso sua encenação é de fato fantasiosa, deixando claro que o que está em jogo aqui é menos um outro tempo e sim a lembrança desta, sempre dourada, parcial. Por isso é que a chave do musical funciona muito dentro do filme: o que se relembra não são "fatos", e sim a fantasia de uma vida em grupo, as lembranças de um coletivo de amigos sobre um outro amigo que não mais está com eles. Fantasia esta que fica bem clara desde um orfanato absolutamente anti-naturalista até um bordel de sonhos (com direito a coreografias), a até mesmo uma passagem por um manicômio resolvida com um número musical. Este passado ser tão fantasioso é a maior prova de que seu espaço é o da imaginação, não o da realidade, e pode-se mesmo dizer que Carvana faz um filme que muito mais do que uma crença em "tempos melhores" é um comentário agudo sobre a velhice e a necessidade nela de se imaginar a vida como uma de "bons tempos" anteriores. Para isso, ele se serve de uma reconstituição que usa de todos os recursos, sejam eles técnicos (incluindo aí bons efeitos especiais, por exemplo, na cena do major do exército e a viagem de ácido) sejam eles dramatúrgicos (a própria opção por fazer da passagem pela ditadura algo quase cômico), para deixar claro que seus personagens estão, com certeza, "dourando a pílula". Não é papel deles (e não seria do filme), numa celebração de um amigo, tornar sua lembrança algo doloroso – eles estão ali para celebrar Apolônio e ponto final. A maior prova é o próprio Golden Night, que surge, assim, não como um bar – surge quase como um oásis da boemia, como uma terra sagrada a ser adorada (o painel decorativo na parede, a iluminação, tudo é um tom a mais).

É nesta recordação, nas cenas do Golden Night principalmente, que o filme encontra sua maior força. E encontra, entre outros motivos, porque Carvana consegue misturar um humor que vai do mais chulo ao mais elegante, muitas vezes na mesma cena. E que não abre mão de defender suas preferências não importando o que o politicamente correto ordene – há odes constantes à poligamia, ao whisky, ao cigarro, à boemia acima de tudo. Seus personagens ganham vida em meio a este clima celebratório, ainda que mais como "personae" do que qualquer coisa (Pedro X, Miluzinha, Dona Neném, o "Coice" - nem os nomes parecem reais). São tão fantasiosos quanto as lembranças que os cercam, e o único que ganha dimensão maior é mesmo Apolônio. Dimensão esta dada em grande parte por Marco Nanini, numa interpretação em múltiplas chaves e muita paixão. Inclusive incorporando uma enorme melancolia ao seu tal "campeão da alegria", naquele que talvez seja o mais sutil e belo movimento do filme de Carvana. Escorando-se numa trama no presente em que Apolônio é declarado por um cientista um molde de alegria a ser clonado, o passado mostra um homem muitas vezes desesperado, que chega a ir parar num hospício, internado pelos próprios amigos, louco por causa de um amor desfeito. Ora, o fato de Carvana conseguir ligar um homem que chega a ser internado com a imagem de um campeão da alegria é sinal claro daquilo que ele defende como alegria: viver a vida ao máximo. Não seria alegre, então, aquele que não sofre por amor, aquele que não sofre por não conseguir achar o dito "acorde perfeito" que fará o mundo feliz. Sem a tristeza de um coração partido, de um sonho inatingido, diz Carvana, não se pode ser de fato alegre. É bela, muito bela, a noção de que ser alegre não significa não ter sofrido, não sofrer. Carvana idealiza um passado, mas ainda assim um passado onde há muito whisky a ser bebido por dores da alma – e isso seria, de fato, uma lembrança feliz.

Não se pode negar que o filme, enquanto estrutura narrativa, tropeça inúmeras vezes (em especial no seu final e na primeira meia hora), e aparenta por vezes estar preocupado demais em montar sua história (a cena da conversa de Dona Neném com o filho, por exemplo, é uma das que parece filmada burocraticamente para passar uma informação). Mas é um filme que fica tão mais adorável, tão mais defensável, quantos problemas ele parece acumular. Não importa que a trama do presente empaque – José Lewgoy é quase sempre delicioso em sua auto-paródia. Não importa que a maquiagem de velhice pareça não fazer muito sentido, cronologicamente falando – há muita diversão em ver aquela "patota do Carvana" brincando de velhinhos. Não importa, por fim, que passado e presente se articulem mecanicamente – queremos ver mais e mais de Apolônio ainda assim. Apolônio Brasil é um filme extremamente vivo sobre um morto, e é um filme que respira em muitos e muitos níveis. Sua entrega ao passado nunca é tola e ingênua, sua celebração nunca é excludente e morta em si, sua paixão pela vida pulsa sempre e sempre. Por isso é que, sem dúvida alguma, a mais bela cena do filme é, justamente, a do encontro de Apolônio com o seu filho - um libelo por "estar vivo", antes de tudo, a época não importando. Não é filme de cineasta morto, e isso é o que realmente importa.

Eduardo Valente



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Thursday, September 02, 2004

 

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Wednesday, September 01, 2004

Meu personagem favorito da turma da Mônica  um fofo este Bugu!!!

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